Categoria: que merda!

Direito de resposta.

Para encerrar esse assunto de uma vez por todas…

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Ira skinhead?

Em conversa de corredor nessa tarde com um amigo adorador da cultura pop dos anos 80, tivemos a conclusão que uma das músicas mais tocadas da banda Ira na década da ombreira e do batom boca lôca tem um agressivo perfume racista.

Não sabemos se o autor na época tinha itenção em agredir o paulista da gema ou os milhões de migrantes e imigrantes que residem na maior cidade da América Latina. Mas a letra não mente. Vejam;

Pobre Paulista

Ira!

Todos os não se agitam
Toda adolecencia acata
E a minha mente gira
E toda ilusão se acaba

Dentro de mim sai um monstro
Não é o bem, nem o mal
É apenas indiferença
É apenas ódio mortal

Não quero ver mais essa gente feia
Não quero ver mais os ignorantes
Eu quero ver gente da minha terra
Eu quero ver gente do meu sangue

Pobre São Paulo,
Pobre paulista, Oh, Oh
Pobre São Paulo,
Pobre paulista, Oh, Oh (Repete desde início)

Eu sei que vivo em louca utopia
Mas tudo vai cair na realidade
Pois sinto que as coisas vão surgindo
É só um tempo pra se rebelar

Pobre São Paulo,
Pobre paulista, Oh, Oh
Pobre São Paulo,
Pobre paulista, Oh, Oh (Repete desde início)

Parou, pensou e chegou … a essa conclusão

Pobre São Paulo,
Pobre paulista, Oh, Oh
Pobre São Paulo, pobre paulista…
Pobre São Paulo, pobre paulista…
Pobre São Paulo, pobre paulista…
Pobre São Paulo, pobre paulista…

Na mesma internet que fiz copy da canção acima, achei ainda um site bem simpático chamado Análise de Letras a qual um grupo realiza comentários de uma letra/obra. Nesse caso, 46 (quarenta e seis) loucos sentam o pau na criação do Nazi, Edgard Scandurra e equipe.

Leiam, ouçam e vejam no clipe abaixo. Após, se quiserem é óbvio, tirem suas próprias comclusões acerca de um dos maiores sucessos do chamado rock Brasil pós ditadura militar.

 

CCBB de ressaca!

Ao visitar o CCBB no início da noite de hoje foi inevitável não sentir aquele cheiro estranho de ressaca…

O melhor centro cultural do Rio após receber durante 04 (quatro) meses a bombástica expo “Impressionistas” estava com suas paredes dizendo que debaixo daquele teto todos estão estafados.

Pela primeira vez na história, pelo menos a deste que vos escreve com aquele espaço, senti um certo desânimo naquela rotunda que normalmente nos encanta. Sem apresentações teatrais, sem cartazes da próxima grande atração, sem o tradicional cheiro de café e pão de queijo da lojinha do térreo, sem os casais que costumam fazer pegação naqueles bancos e atrás das colunas romanas, e pasmem, o lugar estava completamente vazio. Sem a consideração de ser férias escolares e dos 20 milhões de gringos que invadem a cidade nessa época do ano…

Confeso que saí de lá triste, sem recarregar a mente com as novidades que alí normalmente se concentram.

O que houve com aquele espaço? O que rolará de novo por lá????

Até a Livraria da Travessa estava com cara de velório. Os vendedores com sua vaidade costumeira e a sempre cara de “conteúdo engajado” de morador de Santa Teresa discorriam um papo brabo de insônia que me fez correr daquele aquário.

Para não correr o risco de sair no 0x0 (zero à zero) enchi a mochila com os folders e mica cards de sempre (foto abaixo) para que minha relação com aquele prédio não fique arranhada por conta da sua má fase.

Imagem

acabou.

logo no primeiro passeio pelo twitter (é senhores, mordi minha língua. o que antes falava mal, agora não vivo sem. viciei…) na manhã de hoje, vejo vários frequentadores do microblog com a notícia que hoje saiu a última edição impressa do jornal do brasil.

confesso que inicialmente fiquei triste, perplexo. e principalmente curioso em saber como um conglomerado da informação fora acabar. restando apenas uma rádio de repetidas músicas (ouvir a jb fm é a tarefa mais difícil que alguém possa ter…) e um site de notícias.

logo após o susto, silenciei por alguns segundos… e depois veio uma doce recordação da minha história com o falido jb. lembrando do período a qual estava prestando vestibular e decidi assinar o noticiário de papel.

naquela época, fui colocado, através daquelas entrelinhas, em todos os acontecimentos do mundo. de maneira imparcial (ainda era), clara, inteligente, e completa (lembro que alguns amigos diziam que cada matéria do JB era uma tese de mestrado. de tão grande eram seus textos) sabia todo o movimento do brasil sem mesmo ter saído de Niterói e sem acesso diário a grande rede.

comecei minha paixão pela revista domingo. a qual meu tio trazia todo primeiro dia da semana pela manhã após seu plantão no aeroporto do galeão. lia página por página. ela detalhava de maneira simpática e leve o comportamento do carioca, seu cotidiano e as novidades que apareciam na cidade e nas suas vizinhas. era gostoso de ler. tanto que influenciou outras publicações de sucesso hoje (num é revista do o globo?).

depois veio a paixão pela revista programa (acredito ser a pioneira nesse seguimento). pois minha fase de noitada estava bombando… queria saber o preço do ingresso e onde estava vendendo para a próxima valdemente, quem tocaria na “até que enfim é sexta-feira” ao lado do felipe venâncio na dr smith, onde estava passando o filme em cartaz naquela semana, e qual seria o carro chefe do restaurante que ninguém ainda sabia que existia. não era só um guia de entretenimento, tinha dicas, críticas, as ilustrações da mariana massarani (algumas recortei e tenho guardadas até hoje), a reportagem de capa com um tema a ser mais aprofundado, e toda aquela atmosfera cool que só o jornal do brasil sabia ter.

além das duas revistas, meu vício posterior foi o caderno B. corria para a coluna da danuza e dava gargalhadas com sua cobertura ácida a partir dos eventos da alta sociedade carioca. arthur dapieve, veríssimo, millôr fernandes, joão ubaldo ribeiro, as tirinhas do cláudio paiva (aprendi a desenhar alguma coisa copiando os traços dele), e as contundentes críticas musicais do tárik de souza. saudade de tudo.

lógico que a partir daí, comecei a pegar um vicioso interesse por política, pelas decisões tomadas mundo afora, e pela economia. quando percebi, havia aberto uma incrível e fascinante janela na minha mente. e o meu interesse por leitura, a partir do jornal do brasil, cresceu, apareceu, e está a todo vapor até os presentes dias.

fico triste. um jornal que fazia diferença foi acabar de maneira absurda e por que não, costumeira. pois, se fizermos uma rápida pesquisa, concluiremos que empresas de família (o jb era uma) tem o prazo de validade reduzido. a ganância, inveja, as brigas internas, ações judiciais, e o desejo em acumular bens e riquesas coloca em cheque o crescimento e a perfeita manutenção de grandes e importantes empresas do país.

fluminense tecidos, sendas (salva pela compra feita pelo grupo pão de açúcar), unibanco (salvo pela compra feita pelo itaú), o ponto frio (salvo pela partilha da casas bahia) e por aí vai pois não lembro de outras agora.

assim como outras finadas publicações, o jornal do brasil entrou para história desse país. é lamentável ainda, que no rio de janeiro não tenha outros grandes jornais para cumprir claramente o papel que ao inaugurar nas bancas o jornalista chefe propõe e promete.   

o que ficou por essas bandas foi o noticiário raso, popularesco, sem autonomia, sem independência, sem critérios, e sem vergonha.

que lástima.

a maior segunda-feira do ano.

já virou lugar comum dizer que a segunda-feira, 05 de abril de 2010, foi o dia que o Rio definitivamente parou.

você caro leitor, também já deve ter lido, visto e derrepente vivido situações complicadas nesse dia/noite que tá dando pano pra manga até agora.

como o trabalho aqui é informar meu cotidiano nessa selva de pedra que temos residência fixa, sinto-me obrigado a relatar a saga de 10 horas na volta para casa nesse fatídico dia.

quando as pessoas perguntam o porque fiz questão de voltar para meu lar, informo aos senhores que realmente não tinha dimensão do colapso que me aguardava nas vias públicas mais importantes da cidade.

peguei um coletivo vindouro de jacarepaguá na passarela 6 da av. brasil, principal via expressa do rio, extamente às 20:40 min. a tal passarela é a famosa em frente a fundação oswaldo cruz FIOCRUZ. fiquei feliz. e acreditando que minha epopéia poderia ser apelidada de mini-epopéia. uma vez que, se o ônibus que peguei chegasse logo ao seu destino (praça XV) pegaria uma barca e logo logo estaria na hoje famosa niterói.

lêdo engano. o veículo passou rapidamente pela brasil e logo chegou na rodoviária novo rio. dali, não mais saiu.

eram 21:00 horas em ponto. pela janela via-se um rio passando acima das rodas do carro a qual estava. o mesmo não ia pra frente e muito menos para trás. descer, nem pensar. perigava ser arrastado pela correntesa. pelo nó que se encontrava o trânsito e a chuva que não dava um só minuto de trégua, a pergunta que passava na cabeça de todos os passageiros inclusive na deste que vos escrevem era o que farei la fora?

lentamente a hora passava. o motorista manteve o carro ligado para que o mesmo não morresse. contribuindo dessa forma, com o desconforto e nervoso por estar ali, naquele lugar. com fome, sede, sono, frio, e muito nervoso por querer logo chegar em casa e poder finalmente descansar de verdade e merecidamente.

para encurtar a história, eram 2:40 da manhã quando o coletivo começou a voltar andar lentamente. o motorista, para nossa sorte, repetia com orgulho que amava fazer bandalha. principalmente para chegar mais rápido a seu destino final. nesse momento, o sorriso volta tímido ao meu rosto.

desci no ponto final, e logo peguei o transporte  de número 100. que aqui em niterói chamamos de “toda hora tem“. mais um momento que meu sorriso volta a brilhar naquela madrugada fria, chuvosa, e tortuosa.

transcorreu o caminho perfeitamente. apesar desse condutor, diferente do anterior, não se preocupar muito com o tempo e a pressa dos milhares de trabalhadores famintos e encharcados residentes nos bancos daquele coletivo. parecia ônibos de turismo em cidade histórica, com direito a locução e tudo.

finalmente a ponte. o susto era passado, pois percebemos que o trânsito na via apelidada no passado de “o milagre da engenharia” transcorria tranquilamente. deu até para tirar um merecido e despreocupado cochilo, já que a casa estava próxima e breve estariamos tomando uma chuveirada quente e consumindo um alimento reconfortante para o equilibrado relaxamento.

mais uma vez, lêdo engano.

ao chegar na praça do pedágio, pára todo o trânsito mais uma vez.

só ali, na frente de caminhões de transporte de cargas, ficamos exatamente mais 1:30 min parados.

chega-se no terminal de ônibus. o lugar parecia pátio de fábrica na hora do lanche. LOTADO de trabalhadores. esperamos mais uns 30 minutos, e logo logo mais um tímido, porém cansado, sorriso no canto do meu rosto. veio o coletivo que passa em frente a minha residência.

pequena comemoração dos populares (olha eles ai de novo!!!!) e sorriso tímido em todos os rostos.

debaixo da chuva insistente, seguimos rumo ao nosso destino.

calma aí. tá pensando o que?

lêdo engano mais uma vez…

a chuva que assolou o Rio de Janeiro aquela noite, também passou e ficou um bom tempo em Niterói. derrubando barreiras, alagando ruas, fazendo motoristas abandonarem seus carros, e não deixando a terra de araribóia de fora do caos que estava sendo distribuído a qualquer terreno.

andamos algumas quadras, até chegar no início da avenida do contorno. e ali ficamos. tudo alagado. em qualquer via que tentava-se um caminho alternativo, tinha um bloqueio de carros de passeio abandonados ou de uma piscina com água até acima do joelho. mais uma vez, sem opção.

a situação foi bem crítica, como poderam ler. mas para o complete, lhes informo que adentrei em meu lar por volta das 7:10 da manhã da terça-feira, 06 de abril de 2010.

dores nas pernas, fadiga, cansaço, fome, sede, desespero, nervorsismo, dúvida, frio, ansiedade. solidariedade, conversa, partilha, preocupação da família e amigos, celular, música, oração, e fé de que nada de ruim acontecerá.

Foram esses sentimentos, reações e elementos essenciais para sobreviver as temidas 10 horas vividas por este que vos escrevem a dois anos para chegar em casa na última segunda-feira dia 05 de abril de 2010. o dia do caos.

como não poderia deixar de ser, seguem algumas fotos do cansativo e superado teste de resistência. carros abandonados, o cansaço dos passageiros, a janela do abafado ônibus toda embaçada.