Resposta:

uma fiél leitora; profissão: editora de moda; idade: não informada; sexo: leitorA; nome: não sinalizou na mensagem para deixar sua identidade verdadeira em sigilo e muito menos assinou de maneira exótica. mas como não sou bobo nem nada, não falarei mesmo assim. vai que ela muda de idéia… seria uma lástima, pois o sabão? não possui reservas em $ para pagamento de indenizações por danos morais etc.

então.

a referida leitora, nos questionou por email acerca do comentário em um post abaixo sobre achar o povo da moda esquisito. “(…) como assim? você curte moda e nos acha esquisitos?

como sou atencioso com os leitores, principalmente os fiéis, segue relação de motivos pelos quais gosto do trabalho de vocês fashionistas, porém, não arredo o pé em lhes achar, de novo, esquisitos:

  1. qual é a graça e genialidade da diabo anna wintour (tenho que começar por cima)? tá bom tá bom, ela é editora do melhor produto do conglomerado de revistas condé nast, lê-se vogue américa;
  2. ombreiras? não era esse o acessório mais temido pelas mulheres quando se dizia anos 80? agora vocês vem com essa de que é moda usar ombreira?!?!!?
  3. carão. fazer tipo antipático, olhar blasé, estar sempre com cara amarrada e de óculos escuros dentro de uma sala escura. definitivamente, nã dá;
  4. é a única classe que não é unida. advogados, psicólogos, professores, padeiros, mecânicos e pintores se defendem até a morte. o povo da moda faz sabotagem com seu próprio parceiro de equipe até que ele morra;
  5. porque copiar os termos lá de fora para profissionais que trabalham em vosso meio? beauty artist = maquiador, new face = modelo novinha, hair stylist = cabelereiro, press = imprensa, mailing = lista de emails ou a finada mala direta. e por aí vai…
  6.  porque comer pouco já que voscês trabalham tanto? minha vó dizia… só a minha não, claro que a de vocês também. que “saco vazio não para em pé…” vocês correm o dia todo pra baixo e pra cima e comem alface com água perrier!?!?!?
  7. desejar uma bolsa louis vuiton por R$9.000,00 reais. o que posso dizer?
  8. não aceita nossa cultura. mas curtem a banda calypso;
  9. pouquíssimas negras e negros nas passarelas em um pais que eles são a maioria da população;
  10. festas só com bebida e nem buffet japa para disfarce. pelo menos com a moda do cupcake, espalham alguns bolinhos de canela e glacê de limão com confeitos por cima em uma mesa de vidro.

mas. como sou humano, e as vezes beiro ao mote incoerente. a moda, e o seu mercado em terras brasileiras sofreu uma mudança madura, importante e séria nos últimos anos. digamos, uma verdadeira revolução cultural. talvez impulsionada com a explosão da internet. confrontando, é claro, com a lista apresentada acima:

podemos notar claramente que a tal moda saiu do campo do padronizado. (digo. “se você não tiver tal peça estará fora de moda”). e sem culpa ou medo, respeita as tribos e os elementos que delas fazem parte. tá cada um na sua. e numa boa;

podemos ler e ver em entrevistas nos veículos televisivos e de papel, profissionais tolerantes e equilibrados apenas sugerindo;

desde a penúltima semana de moda de são paulo, após uma liminar apresentada pelo ministério público local, 10% das meninas e meninos que circulam com cara fechada naquela passarela tem de ser negra(o);

após o advento do bordado e de temas trazidos por estilistas como o super ronaldo fraga, a carioquíssima isabela capeto, e o life style (olha eu com termos em inglês aí ó…) minimalista-carioca da osklen. o brasil é cada vez mais usado como referência nas passarelas das semanas de moda;

grandes magazines estão convidando estilistas bacanas para desenhar coleções para venda em suas araras populares. marcelo sommer já fez um masculino bacanérrimo para a c&a, agora é isabela capeto que está com uma linha infantil na mesma loja. é a moda acessível;

havaianas, aquela antiga sandália dura, de peixeiro, feirante e pobre como antigamente falava, hoje é vendida a preço de ouro na europa e tem milhares de lojas franquias em todo país, inclusive na metida besta oscar freire. (uma amiga teve seu exemplar com a bandeirinha do brasil estampada surrupiada no famoso festival sonnar em barcelona);

nosso biquini. é o mais vendido e admirado do mundo. não, não é porque o desenho facilita o uso enterrado. é pela costura, modelo e estampa. ah tá;

e por fim, a de convir que vocês ajudaram a colocar o brasil na moda.

tá respondido?

incoerente eu?

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