acabou.

logo no primeiro passeio pelo twitter (é senhores, mordi minha língua. o que antes falava mal, agora não vivo sem. viciei…) na manhã de hoje, vejo vários frequentadores do microblog com a notícia que hoje saiu a última edição impressa do jornal do brasil.

confesso que inicialmente fiquei triste, perplexo. e principalmente curioso em saber como um conglomerado da informação fora acabar. restando apenas uma rádio de repetidas músicas (ouvir a jb fm é a tarefa mais difícil que alguém possa ter…) e um site de notícias.

logo após o susto, silenciei por alguns segundos… e depois veio uma doce recordação da minha história com o falido jb. lembrando do período a qual estava prestando vestibular e decidi assinar o noticiário de papel.

naquela época, fui colocado, através daquelas entrelinhas, em todos os acontecimentos do mundo. de maneira imparcial (ainda era), clara, inteligente, e completa (lembro que alguns amigos diziam que cada matéria do JB era uma tese de mestrado. de tão grande eram seus textos) sabia todo o movimento do brasil sem mesmo ter saído de Niterói e sem acesso diário a grande rede.

comecei minha paixão pela revista domingo. a qual meu tio trazia todo primeiro dia da semana pela manhã após seu plantão no aeroporto do galeão. lia página por página. ela detalhava de maneira simpática e leve o comportamento do carioca, seu cotidiano e as novidades que apareciam na cidade e nas suas vizinhas. era gostoso de ler. tanto que influenciou outras publicações de sucesso hoje (num é revista do o globo?).

depois veio a paixão pela revista programa (acredito ser a pioneira nesse seguimento). pois minha fase de noitada estava bombando… queria saber o preço do ingresso e onde estava vendendo para a próxima valdemente, quem tocaria na “até que enfim é sexta-feira” ao lado do felipe venâncio na dr smith, onde estava passando o filme em cartaz naquela semana, e qual seria o carro chefe do restaurante que ninguém ainda sabia que existia. não era só um guia de entretenimento, tinha dicas, críticas, as ilustrações da mariana massarani (algumas recortei e tenho guardadas até hoje), a reportagem de capa com um tema a ser mais aprofundado, e toda aquela atmosfera cool que só o jornal do brasil sabia ter.

além das duas revistas, meu vício posterior foi o caderno B. corria para a coluna da danuza e dava gargalhadas com sua cobertura ácida a partir dos eventos da alta sociedade carioca. arthur dapieve, veríssimo, millôr fernandes, joão ubaldo ribeiro, as tirinhas do cláudio paiva (aprendi a desenhar alguma coisa copiando os traços dele), e as contundentes críticas musicais do tárik de souza. saudade de tudo.

lógico que a partir daí, comecei a pegar um vicioso interesse por política, pelas decisões tomadas mundo afora, e pela economia. quando percebi, havia aberto uma incrível e fascinante janela na minha mente. e o meu interesse por leitura, a partir do jornal do brasil, cresceu, apareceu, e está a todo vapor até os presentes dias.

fico triste. um jornal que fazia diferença foi acabar de maneira absurda e por que não, costumeira. pois, se fizermos uma rápida pesquisa, concluiremos que empresas de família (o jb era uma) tem o prazo de validade reduzido. a ganância, inveja, as brigas internas, ações judiciais, e o desejo em acumular bens e riquesas coloca em cheque o crescimento e a perfeita manutenção de grandes e importantes empresas do país.

fluminense tecidos, sendas (salva pela compra feita pelo grupo pão de açúcar), unibanco (salvo pela compra feita pelo itaú), o ponto frio (salvo pela partilha da casas bahia) e por aí vai pois não lembro de outras agora.

assim como outras finadas publicações, o jornal do brasil entrou para história desse país. é lamentável ainda, que no rio de janeiro não tenha outros grandes jornais para cumprir claramente o papel que ao inaugurar nas bancas o jornalista chefe propõe e promete.   

o que ficou por essas bandas foi o noticiário raso, popularesco, sem autonomia, sem independência, sem critérios, e sem vergonha.

que lástima.

Anúncios

  1. Chris

    Pois é Cazé. Tb não acreditei. Até tentei comprar a última edição nas bancas de Sampa, mas já era tarde demais.

    Bjocas e continue escrevendo.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s