caos.

é piégas informar que os grandes centros urbanos hoje são de total periculosidade a seus habitantes.

as grandes cidades do mundo sofrem com a poluição (sonora e visual), barulho, sujeira, falta de tempo e estresse. o cidadão está cada vez mais sem tempo e correndo para terapias instantâneas em busca do resultado rápido e alívio imediato das suas dores, lamúrias e dilemas.

sim. os parágrafos apresentados acima são do conhecimento de todos. mas, digo aos senhores leitores que a introdução deste post é do conhecimento de alguns e realidade diária para outros. confesso que em minha vida, sempre observei esse cenário do caos “desejável” nos filmes e séries americanas. a qual as sessões da tarde e as telas quente nos apresentavam um personagem da moda, com a roupa da moda, caminhando pela 5a avenida em nova york munido do seu babado copo plástico de café gelado da starbucks.

era tudo.

mas era fantasia.

pois o negócio é bem “mais embaixo”. 

com o programado interesse em chegar ao centro da cidade cedo na manhã de hoje, deparei-me com o que vejo todo dia, mas de-fi-ni-ti-va-men-te, hoje não estava preparado.

moro em um bairro de passagem, destino certo para pelo menos 70% da população da segunda maior cidade do estado do rio de janeiro, em número populacional de acordo com pesquisa do IBGE – ano de 2007. é ela mesmo! estou falando de são gonçalo, vizinha de niterói. a qual muitos da capital no outro lado da “poça” acham que essas duas cidades é apenas uma.

não catatau. são gonçalo, minha terra natal, é uma cidade própria. tem igreja, banco, escola de samba, restaurante self-service, shopping, delegacia, prefeitura e com gente pra “daná”. toda essa gente atráz do seu pão de cada dia, pouco fica em sua terra por conta da escassez de vagas de emprego e oportunidades em geral. logo, o território com 960,3 mil habitantes podemos dizer que é hoje o maior dormitório do brasil, quiçá do mundo.

nesse interím, o terreno mais populoso do antigo estado da guanabara despeja seus filhos com mão de obra das mais diferenciadas nas vizinhas niterói e rio de janeiro.

por onde eles passam? pelo barreto. bairro da zona norte de niterói. antigo celeiro de grandes fábricas nacionais, a qual seus produtos (tecidos, sabão,  fósforo, etc) eram vendidos para o brasil e exterior. nos anos do apogeu tinha cinema, sorveteria, casas de shows, o melhor e mais animadocarnaval da região, e uma grande variedade de comércio e serviços que atendia a população ativamente consumidora e que pouco translava ao centro da cidade para ver atendida suas necessidades cotidianas. ah?! esqueci da bela praia com vista para as ilhas da baia da guanabara, que a época poluição não era assunto a ser discutido.

com a abertura da BR-101, construída acima da antiga areia branca que um dia serviu de playground para este que vos escreve, e dos estaleiros em sua costa marítima, o bairro que um dia fora próspero e sorridente amarga até os tempos atuais uma difícil e incompreensível decadência. lojas e fábricas abrindo falência, vilas de casas dos operários abandonadas, fim da colônia de pescadores, seus moradores migrando para outras cidades em busca de novas oportunidades, fechamento definitivo do comércio de entretenimento, aumento do trânsito, favelização, violência… tudo em nome da sempre duvidosa “modernidade”.

hoje, esse quadro encontra-se estático com o pequeno diferencial que o barreto, está em crescente processo especulatório dos grupos imobiliários. mas possui milhares de lojas e fábricas fechadas/abandonadas (essas últimas com terrenos monstruosos como ítem de penhora judicial para pagamento de dívidas trabalhistas), poucas árvores tornando a temperatura mais alta, lixo e sujeira nas ruas, população escondida, e nosso pivô para um post denso como esse: um trânsito infernal.

como havia escrito acima, hoje não estava preparado para o caos encontrado nas ruas estreitas do meu sofrido bairro. muitos carros e ônibus de são gonçalo, rio bonito, itaboraí (essas duas últimas cidades seguindo a trilha dormitório de sg), muito calor, pessoas viajando na porta dos coletivos, nenhum guarda de trânsito para controlar a baderna, motoristas estressados fazendo absurdos nas vias públicas, motoqueiros sem respeitar as faixas dos pedestres, crianças e idosos andando nas calçadas com olhar assustado, topiqueiros a fazer bandalhas inacreditáveis com interesse em chegar primeiro, buzinaço… e para terminar, uma viagem, no cronômetro, não passa de 15 minutos hoje levei 2 horas e 23 minutos. também cronometrado.

olhando pela janela do circular, tive a certeza que estava no meio do caos.  sem ser protagonista de uma série de sucesso, longe de nova york,  sem roupa da moda, sem o café gelado da starbucks, e sem entender porque as mudanças de estrutura das cidades em nossa sociedade não são pensadas para atender a maioria.

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