funk.

era julho de 2001, e na época a juventude dourada da zona sul (odeio esse termo, mas existe, fazer o que…) acabara de descubrir os bailes de funk nas favelas da cidade. era uma verdadeira febre.

um dos projetos/eventos daquela época ficou tão famoso que virou franquia, fez sandalinha de cristal com aroma de frutas, e cd com as músicas da noite para rolar nas festinhas private das coberturas de autrora.

no meio de todo esse frisson, tenho uma amiga que adorava acompanhar uma modinha e não perdia por nada uma balada (esse termo também, iiiiiiiii…). qualquer novo evento que arrastava uma horda de alucinados ávidos por um agito de temporada, a figura se prostava esguia para balançar o esqueleto, ops, popozão. Cabe lembrar, que não tenho nada contra a pessoa eclética mas tudo tem um limite.

então, depois de tanto insistir duas pobres amigas que fazem a linha “maria vai com as outras”, nossa chuchuca de ocasião consegue arrastá-las para um baile fervido na comunidade do Kafussú azedo. favela mais antiga da capital e conhecida em todo mundo.

pelo título e responsabilidade que carrega, não era de se estranhar que o baile promovido por aquelas bandas fosse o mais concorrido e disputado de todos. tipo aquele esquema de chegar no trabalho na segunda e todos ao seu entorno para saber qual é o mistério e as histórias do baile do kafussú.

meninas prontas com visual alternativo/chique, adquirido em 8 parcelas iguais no cheque pré naquela grife emergente. victória secret em todo corpo, anéis, argolas gigantes, e o bonézinho com a inscrição NY para dar pinta que visita a cidade de origem pelo menos umas três vezes ao ano. podem estar achando estranho essa montação toda das meninas para frequentar um baile funk na favela, que perigo né… né nada, aquelezinho da novela vai sempre, e disse em entrevista que é o melhor lugar para se divertir com os amigos depois das partidas de tênis no golfe clube do bairro onde mora. 

última conferida no espelho, tudo certo e no lugar!!! correm as três para o ponto de encontro marcado na praça central onde localizam-se vários bares famosos para o clássico aquecimento antes na night. cervejinha aqui, vodka dali, eis que chegam as vans para transportar os mais novos modernos e sem preconceitos para uma alucinante viagem até um mundo diferente e exótico apenas visto nas páginas dos jornais.

o som é enssurdecedor, trenzinhos de dancinhas sensuais em todo canto, todo mundo muito feliz menos os moradores do local. como conseguem durmir com aquele barulho todo? o dj da rádio põe os batidões mais animados, e a cada troca de música, como de praxe, a galera urrava e olhava para o colega ao lado naquela expressão “muito foda!”.

tudo relativamente bem… eis que, sem ninguém perceber, chega um muleque gritando que a polícia estava de subida na comunidade. mas com o som naquela autura a garotada presente não deu a minima para aquela criança mensageira de deus. de tum, tum, tum, tum, tum… para pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá…

imagina o corre-corre…

era playboy para tudo quando é lado. invadindo quintal, subindo árvore, deitando no chão, e, como minha amiga é criativa, atrás do poste. isso mesmo queridos leitores, atrás do poste. ela e suas duas fiéis cópias escundeiras acharam que enfileiradas atrás do poste de iluminação pública estariam em segurança…

e o tiroteio de traficantes e policiais continua… pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá…

nossa amiga, ainda atrás do poste, em um súbito momento de total desespero olha para aquela situação a qual se encontrava começa a ter sérios revertérios de nervoso em sua sarada barriga ornada com um piercing. no almoço foi tutu com carne assada, banana frita com sorvete de carabola de sobremesa (repetiu três vezes), big mac com fritas e sandae de caramelo no lanche, e quatro podrões na barraquinha da luzia antes de embarcar para a tal empreitada. fora as latinhas de skol… isso tudo estava sendo depositado em sua calcinha de renda para posteriormente escorrer por suas pernas em formato pastoso eeeee (desculpa os detalhes caro leitor) fedido.

o chororô foi geral. até que finalmente acaba o massacre, chega a polícia, prende meia dúzia, muita gente chorando, as vans levando o povo de volta, o som desligado, e a poderosa do poste toda cagada.

foi o momento certo para suas amigas sairem dali as pressas com ela embaixo do braço aos prantos. desceram o kafussu azedo com aquela fedentina reclamando da vida, e andando prendendo as pernas. são mais ou menos uns 488 degraus até chegar no asfalto, fora as ladeiras…

finalmente em terra firme, e escoltadas por dois guardas que não entendiam de onde vinha aquele fedor absurdo, as três mosqueteiras fazem sinal para o taxi que logo ao parar o motorista bate o olho na “acidentada” e vai logo dizendo que “mulher cagada sujaria o banco que fora lavado naquela manhã”. mais chororô…

faz sinal para outro taxi, já esse aceita levar as três malucas. mas a cagada em hipótese alguma poderia sentar daquele jeito, se não sujaria o bando que fora… rua deserta, cocô descendo perna abaixo, e apenas a condição de viajar duas horas sem sentar. não pensaram duas vezes, colocaram rapidamente a moça suja no banco de trás, de joelhos e com o bundão virado para frente. ninguém sentou no carona se não ficaria intoxicado. todas as janelas, inclusive a mala do carro abertas para aliviar a fedentina. ô fedor!!!

até que pararam em um posto na estrada, jogaram a desarranjada dentro do banheiro e com um pode de margarina qualy deram um banho na sujeita.

chegaram em casa às 7 da manhã de domingo, traumatizadas, e com a certeza que no Kafussu somente ensaio de escola de samba ou o angú à baiana da selma, e o podrão da luzia nunca mais.

ê, ê.

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