eu sou pobre, pobre, pobre, pobre de marré…

fui levar minha mochila de paixão (pobre é assim, compra uma coisa cara para durar uma eternidade e quando o zíper estraga leva na loja para conserto free) para consertar o fechecler (é o último parênteses, juro!!! tem gente que fala vechecler). mostrei a vendedora solícita e simpática a anomalia apresentada em meu acessório de extrema necessidade. preenche formulário dalí, oferece um produtinho de preço absurdo daqui, assina de lá… cumprida todas as formalidades que o feito exige, lá fui feliz e contente com a real possibilidade de ter minha companheira semanal de volta as minhas costas com segurança e bela como sempre.

então, sabem como é shopping né, ainda mais com fome… dá vontade de levar tudo!!! como não tenho muita paciência de ficar rodopiando os corredores por muito tempo sem poder levar um par de meias, tinham três opções: gastar a grana que é ausente, vazar daquele templo do consumo e rumar para casa, ou fazer um programa pão duro e instalar-se no café da livraria com todas as revistas possíveis e lançamentos literários que minhas mãos pudessem carregar.

considerando o bom tempo que não visito a babel das vitrines, o que tinha de mais importante já havia feito, e o engarrafamento que estava na ponte e as filas que a barca me reservara, optei óbvio pelo programete do pão duro. opção 3.

adentrei o recinto sem dór nem piedade e com a consciência tranquila que gastaria no máximo a grana do cafezinho. e lógico, sairia dali dotado de cultura e novidades em geral.

senta, disfarça olhando o cardápio, faz cara de conteúdo para engrupir a pobre garçonete, e termino a cena pedindo um expresso e uma garrafinha de água com gás.

cena feita, todo mundo sossegado, começo a passear pelas páginas da veja da semana (cada vez pior!!!! foi mal quebrar o juramento.) quando uma criança começa a chorar e sentir-se incomodada com sei lá o que. a mãe estava de costas, mas percebia-se que ela estava sem graça… balança daqui, nina dali, canta uma musiquinha de lááááá. até que o pestinha dá um puxão na orelha direita da mãe e arranca-lhe sua argola voando bijouteria para tudo quanto é lado. solidário, prostei meu corpo cansado de um dia de trabalho e me protifiquei a procurar o tal brinco.

olhei em tudo e achei o mais difícil, a tarracha. procurei mais um pouco, mais um pouco, mais um pouco, e mais um pouco de novo, até que finalmente achei a peça de ouro branco, bijouteria nada, da gigante das jóias pendurada em um livro de receitas light com base na dieta de las vegas. o que será isso meu deus?

peguei e devolvi rápido antes que alguém ou este mesmo que vos escreve decidisse derreter a peça de considerável peso e fazer uma grana. mas como mamãe deu educação, além de devolver ofereci-me a colocar em sua orelha já que o rapázinho continuara inquiéto.

boa ação do dia feito, volto para minha mesa terminar o meu café de cena que aquela hora já estava bem frio.

mas para minha surpresa, a mãe que minutos antes estava em desespero com seu filho conseguiu faze-lo durmir e não se fez de rogada em me convidar para lanchar naquele café “baratinho” como forma de agradecimento a minha atenção dispensada no pequeno acidente.

larguei imediatamente a xícara e a garrafa d’agua, e começamos um papo bem bacana sobre pais, filhos, crise financeira, trânsito, política interna e é óbvio a salada de mix de folhas, a sopa do dia, dois croissants, uma fatia de quiche de queijo com alho poró, duas cerpas, brownie com sorvete e mais um cafézinho com creme para fechar. tudo por conta de uma argola de ouro branco que em 30 segundos fora localizada.

pelo menos fui sincero com ela quando disse que tinha almoçado às 12:30H.

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