vaca.

uma colega do meio jurídico, num sei porque tenho vários colegas do meio jurídico, daquelas que cospem código, que fala bastante, bastante mesmo, contou-me no dia de ontem uma saga vivida no fórum da comarca de seropédica, estado do rio.

muito ansiosa, a operadora do direito, advogada renomada e eficiente, às 7 da madrugada de uma terça-feira já estava no terminal rodoviário américo fontenele, atráz da central do brasil, para pegar uma van ou coletivo regular para “viajar” até a cidade “vizinha” de seropédica – cidade da universidade rural – onde aconteceria uma audiência de conciliação às 11:40 da manhã.

tudo bem, seropédica é longe pra daná mas ela é bem exagerada… por esse motivo, a van deixou a dita exatamente às 9:00 na esquina do fórum calculando aí umas 2 horas e 40 minutos de espera até a hora oficial da audiência. o que farei para passar o tempo? o prédio do fórum fechado – só abre às 11 em ponto, um matagal a sua volta, um vigia distante tirando um ronco antes da batalha, e uma pobre e doce vaca pastanto no matinho alto em volta da construção pública.

olha para um lado e para o outro, a figura lembra que no fundo da sua bolsa da praga (a genérica do camelô) havia um resto de trident e um pocket book  da escritora de todas as horas Agatha Christie. sorriso nos lábios, nossa doutora levara em punho uns processos e a pasta com os documentos do evento para o qual estava adiantadíssima. jogou tudo no chão, e improvisou um pequeno acento para não sujar sua saia da espaço fashion, que está pagando até hoje.

momentinho de felicidade pura, nossa guerreira e nada medrosa doutora começa a viajar nas linhas do romance de gosto duvidoso dá vovó mundial das páginas amareladas. ao chegar afoita na segunda página, começa a perceber que tem alguém cada vez mais perto… volta pra leitura. mas tem a sensação que alguém lentamente estava se aproximando… mais uma vez, olha para um lado e para o outro quando depara com a pobre e doce vaca relatada acima. pensamento rápido: é só uma vaca, ela é inofensiva, estou no meio ambiente dela… politicamente correta mas querendo preservar seu côro, a doida fica de pé com toda a tralha na mão observando e na dúvida se realmente aquilo estava acontecendo com ela.

estava não, aconteceu. o animal pirado começou perseguir a adiantada naquele fim de mundo com um monte de mato ao seu redor para ela pastar ou fazer o que quiser. como não tinha para onde correr a coitada começou a dar voltas inicialmente com calma ao redor do fórum… andava e parava. andava, parava e olhava. e lá estava e enjoada da vaca caminhando ao encontro da “minina”…  que vaca pentelha! a coisa estava começando a ficar séria, uma das duas acelerou o passo e logo começou um corre-corre dígno de comédia pastelão. ela correndo e a vaca atrás dela… que cena!!! juro que se lá estivesse ia morrer e mijar de tanto rir.

eis que no meio daquela maratona de filme de terror, nossa amiga toda suja e suada teve a brilhante idéia de chamar o mocinho vigia que ora encontrava-se em seu 22o sono…

socoooorro… o moço, socorrooooo. socorro!!!

após tanta gritara, o nativo acorda de seu sono de princesa e finalmente salva nossa amiga vítima do susto de mau gosto por conta de uma chata de vaca.

resultado: sua meia-calça (ela estava de meia calça rosa) estava com 18 carrapichos; ela suou tanto que teve de tirar a blusa de manga cumprida que estava por baixo e amarrar na cintura (sua praga estava lotada); o salto do seu scarpin quebrou, logo, ela fez o vigia sonolento passar a serra no salto do outro e virou uma bela sapatilha; no corre-corre um dos processos caiu em um monte de estrume de cavalo; e ela nunca, mas nunca mais fará audiências em seropédica.

cruzes.

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  1. Pingback: Citando Agatha - Semana de 11 a 17.08.2008 « A Casa Torta
  2. Pri

    Meu Deus….parece até com algumas pessoas do nosso setor jurídico.

    O que seria de nossas vidas, sem os imprevistos diários? Que nos farão ter lembranças gostosas de quando a gente era feliz e não sabia…

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